Se a sirene tocar em busca de ajuda para apagar algum incêndio, lá está o Antônio. Mas esqueça a imagem de um bombeiro. Ele é brigadista voluntário e atua como zelador do Parque Municipal, que fica afastado do grande centro de Montes Claros. Aliás, ajudar é a sua missão, como ele define. E inclua na lista de tarefas o trabalho de manter o parque em ordem.
Paro por ali fascinado com o lago, as árvores frutíferas e a bela paisagem. E os cuidados com a limpeza também impressionam. Quero logo saber quem toma conta daquilo tudo e então acho o Antônio, ao lado de um pé de goiabeira que corta o nosso caminho.
É dele a tarefa, que se junta até a um grupo de voluntários nos finais de semana para recolher as sujeiras que ficam pelo parque. Ah, e se ele vê alguém jogando lixo no chão, é bronca na certa:
- A natureza não tem dono, mas todos dependem dela. Então, nada mais justo que todos cuidem!
Sábias palavras daquele simpático zelador, que no dia seguinte foi até conferir de perto como funcionava o caminhão da Casa Consul, se encantou com a ideia e prometeu levar toda a família.
Pergunto se a tarefa é difícil, mas ele me aponta as árvores e o lago. Para ele, trabalhar em meio ao verde, ao canto dos pássaros e com a imagem do lago a sua frente é um privilégio.
Ele só lamenta não poder me mostrar o canto das cigarras, espantado pela fina chuva.
Pois vou embora mais do que satisfeito pelos ensinamentos do Antônio e o visual bonito daquele parque de Montes Claros.
